Tinha treinado a ponto de desafinar o piano e levar comigo as notas no bolso.
Era apenas a primeira apresentação. Aquela ansiedade era quase inexplicável. E meu coração? Disparado!
Cada minuto a passar parecia uma eternidade, e se aproximava a minha vez.
Era chegada a hora. Os aplausos após anunciado o meu nome eram a prova evidente de que eu deveria subir lá e sentar-me ao piano.
Naquele momento, o silêncio. Todos aguardam com expectativa a harmonia perfeita entre mãos e teclas, pés e pedais, que fariam ressoar aquela música em tom de Dó maior.
O silêncio foi quebrado e no embalar ritmado da canção sentia-me entrar naquela freqüência. Cada compasso conduzia o meu pensamento para a melodia. Arrisco dizer que desejaria, até mesmo ao meu pior inimigo, aquele rio de sensações inebriantes que inspiram a alma.
O acorde final e duas notas de sons extremos fechavam aqueles dois ou três minutos de música.
Parecia combinado: para todos que finalizassem não havia aplausos antes que tirassem as mãos do piano. Não foi diferente. Esperei apenas o cessar da vibração das cordas quando ouvi a grande salva de palmas.
Giovanna A. Mesquita
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